Oito atitudes que podem atrapalhar sua recuperação após uma cirurgia

Introdução

Como a tecnologia, atualmente, permite à Medicina interferir menos no corpo humano, por meio das cirurgias minimamente invasivas, com a existência de medicamentos analgésicos e as facilidades que dispomos nesse meio, há uma pressão social que nos faz querer retomar as atividades cotidianas com uma brevidade inimaginável há poucas décadas.

Por isso, a Clínica Gastrocentro apresenta este texto, alertando os leitores sobre os procedimentos corretos no momento pós-cirúrgico. Assim, seguem oito dicas que podem ajudar você, seus amigos familiares a recuperar-se de forma mais tranquila.

1. Voltar à rotina muito cedo

Com o afã de retomar nossas rotinas muito cedo, por vezes, esforçamo-nos a realizar as atividades com as quais estamos acostumados. É muito importante que se tenha o foco no retorno às atividades, mas cada coisa deve ocorrer no devido tempo.
Quando se realiza uma cirurgia abdominal, seja por corte, seja por técnica minimamente invasiva (por exemplo, avideolaparoscopia), é preciso abrir a pele, os músculos,mas, principalmente, um tecido fibroso chamado deaponeurose, que confere resistência mecânica à nossa parede abdominal. Falhas em sua cicatrização podem levar à formação de hérnias incisionais.

O gráfico abaixo ilustra o tempo necessário para que a aponeurose seccionada alcance pouco mais de 80% da sua força tênsil original, durante o procedimento cirúrgico.

Nos primeiros oito dias pós-operatórios, a aponeurose facilmente se abriria não fossem os pontos usados pelos médicos. Atualmente os materiais utilizados são muito resistentes, assegurando o fechamento nesse período crítico. É importante, contudo, entender que movimentos abruptos, como tossir, espirrar, levantar-se subitamente, abaixar para pegar objetos, por exemplo, exigem uma integridade da aponeurose e a resistência dos fios. Então não volte àrotina muito cedo. Repouse nas primeiras duas semanas, já que, até cerca de três semanas após a cirurgia, existe a produção de uma grande quantidade de colágeno na ferida, mas ele tem fibras muito curtas e pouco orientadas, de forma que apenas 15% da resistência tênsil normal é atingida nesse período.

Nas cirurgias abertas (por corte), a força tênsil de pouco mais de 50% será atingida apenas cerca de oito semanas após o procedimento. Por isso, desenvolva atividades leves, gradualmente. Nesses casos cirúrgicos, as atividades que demandam maior resistência da parede abdominal devem aguardar até 12 meses para serem retomadas.

2. Ficar na cama por muitas horas

Mas ficar na cama não é uma boa opção? Há quem imagine que deve ficar imóvel no leito. Antigamente, quando os materiais de que se dispunha possuíam baixa resistência, poderia até fazer algum sentido, porém, atualmente, os fios cirúrgicos suportam uma força muito maior até do que o tecido é capaz de aguentar.

Sair da cama é importante para evitar a formação de coágulos e, com isso, evitar a ocorrência de trombose e tromboembolismo pulmonar, temidas complicações que ainda hoje são responsáveis por internações prolongadas e mesmo óbitos.
Ficar muito tempo deitado ainda aumenta o risco de desenvolvimento de úlceras de pressão e causa a atrofia dos músculos, dificultando o processo de recuperação, além de produzir o acúmulo de secreções pulmonares e causar atelectasias e a retenção de líquidos pulmonares, que pode levar a uma pneumonia.

A não ser que exista uma orientação específica para permanecer na cama, levante-se, com auxílio, eleve a cabeceira da cama, utilize os braços e levante-se de lado (evite se levantar de frente para não forçar a parede abdominal), sente-se, caminhe tão logo seja capaz.

3. Deixar de tomar os medicamentos prescritos

Medicamentos são prescritos para lhe dar conforto e permitir que se movimente, alimente-se e mesmo durma suficientemente para obter condições para uma boa e breve recuperação. Cada medicamento tem um propósito pensado por seu(ua) médico(a) para seu bem-estar. Se tiver dúvidas, converse com o(a) profissional.

O processo de recuperação pós-operatório exige muito do organismo, isso significa consumo de energia e água. Em alguns procedimentos cirúrgicos abdominais, prescreve-se jejum, a fim de que não se atrapalhe o processo de cicatrização de alças intestinais e o intestino recupere sua função. Por isso, muitas vezes é prescrito um soro basal, contendo eletrólitos e vitaminas, importantes para auxiliar seu corpo na hidratação e na oferta de energia e de eletrólitos.

4. Alimentar-se ou ingerir líquidos de forma insuficiente

Uma vez que seu jejum seja liberado, é importante buscar alimentar-se bem e ingerir líquidos, principalmente. É natural que algumas vezes ocorra enjoo ou mesmo vômitos na reintrodução da dieta. Por isso, alimente-se devagar. Utilize pequenas porções a cada vez. Observe a coloração de sua urina. Se estiver muito escura, é sinal de que não está se hidratando adequadamente. Se há algum impedimento para que a hidratação seja aumentada por via oral, o suporte endovenoso pode ser retomado. Converse com seu(ua) médico(a) einforme a equipe de enfermagem, também.

Quando o jejum pós-operatório é previsível, a prévia ingestão de alimentos ricos em vitamina C, zinco, cobre, ferro, arginina e glutamina pode ser útil para uma recuperação bem-sucedida.

 

Tabela 1 - Alimentos ricos em vitamina C

Alimentos ricos em Vitamina C Peso Quantidade de Vitamina C
Pimentão amarelo cru 100 g 201,4 mg
Suco de laranja 248 g 124 mg
Morango fresco 152 g 86 mg
Mamão/papaia 140 g 86 mg
Kiwi 76 g 74 mg
Goiaba vermelha 100 g 73,3 mg
Melão-cantalupo 160 g 67,5 mg
Suco de tomate 242 g 67 mg
Manga 207 g 57 mg
Laranja 96 g 51 mg
Brócolis 92 g 37 mg

 

Tabela 2 - Alimentos ricos em zinco

Alimentos Peso Zinco
Ostras cozidas 100 39 mg
Carne de boi assada 100 8,5 mg
Peru cozido 100 4,5 mg
Carne de vitela cozida 100 4,4 mg
Fígado de frango cozido 100 4,3 mg
Sementes de abóbora 57 4,2 mg
Feijão de soja cozido 86 4,1 mg
Cordeiro cozido 100 4 mg
Amêndoa 78 3,9 mg
Amendoim 72 3,5 mg

 

Tabela 3 - Alimentos ricos em ferro

Alimento ricos em ferro de fonte animal Ferro por 100 g
Carré 3 mg
Vitela 3,6 mg
Cordeiro 2,2 mg
Fígado de vitela 10,6 mg
Mexilhão cozido 6 mg
Gema do ovo de galinha 5,87 mg
Alimentos ricos em ferro de fonte vegetal Ferro por 100 g
Pão de cevada 6,5 mg
Pão de soja 2,3 mg
Salsa 3,1 mg
Grão-de-bico cozido 1,4 mg
Ervilha cozida 1,9 mg
Lentilha cozida 2,44 mg
Agrião 2,6 mg
Beterraba crua 2,5 mg
Feijão branco miúdo 11,9 mg
Feijão-preto costa rica 8,6 mg

 

Tabela 4 - Alimentos ricos em arginina e em glutamina

Alimentos ricos em arginina Alimentos ricos em glutamina
Queijo Carne
Pão de trigo integral Peixes
Uva-passa Ovos
Castanha-de-caju Leite e derivados
Castanha-do-pará Feijão
Nozes Favas
Avelã Ervilhas
Feijão Repolho
Milho Beterraba
Cacau Espinafre
Aveia Couve e salsa

 

5. Fugir da fisioterapia

Logo após uma cirurgia, a dor pode ser uma importante inimiga de sua recuperação à medida que tira a vontade de comer, de mover-se e de fazer fisioterapia. Para evitar que a dor atrapalhe sua disposição, analgésicos estão disponíveis. Faça as sessões de fisioterapia com afinco, receba e realize as orientações quanto às atividades que pode desenvolver sozinho(a), mesmo sem a presença de um profissional de fisioterapia. Tudo isso contribuirá para uma recuperação mais breve.
Se perceber que há limitações e que necessita de suporte profissional, mesmo após a alta hospitalar, converse com seu(ua) médico(a) para receber a devida orientação e encaminhamento.

 

 

6. Retornar precocemente ao trabalho

Dê-se o tempo necessário para recuperar-se apropriadamente. Como vimos, há um tempo para cicatrização, um tempo para a realimentação, um tempo de adequação aos ingredientes que podem ajudar no processo de recuperação.
Descuidos no ambiente de trabalho, pequenos acidentes, escorregões, abraços demasiadamente fortes, cotoveladas no elevador apertado, coisas que muitas vezes acontecem no cotidiano e nas quais não se presta atenção, podem ter uma repercussão deletéria no processo de recuperação. Sem contar o estresse das cobranças, dos prazos, que aumentam o nível de catecolaminas e de cortisol, o que pode retardar o processo de cicatrização.

 

 

 

 

7. Dirigir muito cedo

A atividade de dirigir nem sempre aparenta a exigência que tem. Há uma série de movimentos, alguns abruptos, que podem comprometer o processo de cicatrização. Pequenos desconfortos nas feridas operatórias e mesmo uma certa lentidão na resposta motora podem ser fatores de distração e ajudar a causar acidentes que podem comprometer sua recuperação.

 

 

 

 

 


8. Automedicar-se

“De médico e louco todo mundo tem um pouco”, há o ditado popular. Automedicar-se já é um risco habitualmente, mas automedicar-se após um procedimento cirúrgico émais arriscado e pode trazer complicações ao invés de ajudar. Trocar medicações recomendadas pelo médico para utilizar medicamentos “naturais”, indicados por amigos ou por balconistas de farmácias não é aconselhável, porque pode comprometer sua recuperação.

 

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