Endometriose Intestinal

Dr. Miki Mochizuki - Cirurgião do Aparelho Digestivo

Introdução

De uma forma bastante simplificada, a endometriose é uma doença em que células endometriais, que forram o interior do útero ao longo do ciclo menstrual (veja a figura), acabam por se desenvolver em áreas fora do útero, implantando-se em estruturas da cavidade abdominal, como os intestinos.

 

Segundo estimativas da FMB (Federação Médica Brasileira) cerca 10% das mulheres em idade produtiva apresentam endometriose, ou seja, cerca de sete milhões de mulheres que apresentam sintomas como dor e infertilidade. E a FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) estima que cerca de 27% das mulheres acometidas por essa doença podem apresentar endometriose com acometimento intestinal e em 70 a 93% dos casos, o segmento intestinal acometido é o reto ou o cólon sigmoide.

 

Como se faz o diagnóstico de endometriose intestinal?

A endometriose intestinal pode ser assintomática. Em alguns casos, entretanto, podem ocorrem manifestações como dor à evacuação durante o período menstrual, sangramentos intestinais no período menstrual e alterações do hábito intestinal. As manifestações dependem da profundidade com que as paredes do intestino são acometidas.

 

O diagnóstico pode ser feito através do exame físico e de exames como a ultrassonografia pélvica e transvaginal, bem como através de ressonância nuclear magnética, ou a associação desses dois exames. A colonoscopia pode ser utilizada para descartar outras alterações intestinais e auxiliar no diagnóstico.

Como é feito o tratamento da endometriose intestinal?

O tratamento da endometriose intestinal segue os mesmos princípios do tratamento da endometriose em si. Os objetivos são o controle dos sintomas e a recuperação da fertilidade e, portanto, devem ser individualizados.

O tratamento pode ser através de medicamentos ou através de cirurgia, dependendo das características e necessidades de cada pessoa. Os medicamentos têm por objetivo bloquear a menstruação, ou seja, o ciclo ovariano, impedindo que ocorra, desta forma, o desenvolvimento do tecido endometrial tanto dentro do útero como na endometriose. Para mulheres que não objetivam a fertilidade no tratamento, é uma medida bastante eficaz.

A cirurgia é restrita aos casos em que há falha do controle dos sintomas com a medicação, ou em que há crescimento das lesões apesar do tratamento, ou quando é necessário para a recuperação da fertilidade.

A cirurgia consiste, essencialmente, na remoção dos endometriomas com ou sem a retirada de parte do intestino, conforme a profundidade acometida e necessidade técnica para oferecer segurança na recuperação. Aderências são desfeitas, objetivando-se restabelecer a anatomia normal dos órgãos afetados pela doença.

Uma pergunta que sempre surge é sobre a necessidade de colostomia, ou seja, a colocação de uma bolsinha, ou o intestino para fora. Na grande maioria das vezes isso é desnecessário. Mesmo quando há a necessidade de remoção de uma parte do intestino, podemos realizar a anastomose (costura) do intestino com segurança.

Como em qualquer cirurgia, entretanto, há riscos, principalmente envolvendo essas costuras. Caso ocorra uma complicação, como uma falha no processo de cicatrização da costura, pode se tornar necessária a colostomia, que tem caráter temporário, sendo revertida de 3 a 6 meses depois, em média, através de uma nova cirurgia.

No GastroCentro Piracicaba, estamos à disposição para atendê-la! Dúvidas podem ser encaminhadas para gastromiki@gmail.com

Referências bibliográficas

Brasil: Endometriose já é considerada caso de saúde pública – Federação Médica Brasileira (portalfmb.org.br)

Manual Endometriose 2015.pdf (pucgoias.edu.br)

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